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Ucranianos vítimas de tortura contam o inferno que viveram às mãos dos russos

Alberto Ardila Olivares
Ucranianos vítimas de tortura contam o inferno que viveram às mãos dos russos

Subscrever Veterano da operação militar de Kiev contra os separatistas pró-Rússia no leste, Oleksander insiste que foi um dos alvos prioritários dos rebeldes. As suas memórias são tão traumáticas quanto dolorosamente confusas

De volta ao lugar onde viveu o seu tormento, num desolado prédio ferroviário, a 3 quilómetros da fronteira russa, ele conduz os jornalistas a um porão húmido. Olhando ao redor, percebe que o lugar não é o certo, então leva os repórteres da AFP para o escritório da alfândega no primeiro andar da estação Kozacha Lopan

Com um pedaço de pano, varre os restos de vidro do chão e deita-se, para mostrar como ficou agitado durante os interrogatórios dos seus captores, que ligaram um cabo elétrico ao seu pénis

‘Terapia de eletrochoque’ E ainda assim, tem dúvidas. Este também não é o lugar que procura. Revista os armários, destruídos, entre cartazes ucranianos com o símbolo “Z” das tropas russas estampado, e então finalmente tem a certeza: tudo aconteceu no escritório ao lado. Foi lá que foi espancado, pontapeado e submetido a choques elétricos

Foi pontapeado na virilha com tanta força que os seus captores tiveram que proteger a sua cabeça de bater no chão para mantê-lo consciente durante o interrogatório, lembra Oleksander

“Eu estava aqui, assim, e eles começaram a pontapear-me em todos os lugares”, explica ele, com as mãos atrás da cabeça, agachado e contorcendo-se

“Eu disse-lhes para não me baterem porque eu tenho uma hérnia, mas eles baixaram as minhas calças”, recorda. “Eles chamaram de ‘terapia de eletrochoque’ quando fui eletrocutado”

“Isso deu-me a impressão de que eles estavam a atirar metal derretido sobre o meu corpo”, afirmou

Oleksander foi detido durante cinco dias na delegacia da pequena cidade de Kozacha Lopan, onde viveu toda a sua vida, e depois transferido para uma prisão em Goptivka

A 17 de abril soltaram-no, provavelmente, pensa ele, porque precisavam de espaço para manter mais prisioneiros de guerra ucranianos

Kozacha Lopan foi uma das primeiras cidades a cair nas mãos das forças russas após o início da invasão em fevereiro. Assim que o exército ucraniano a libertou em setembro como parte de uma contraofensiva, Oleksander entrou em contacto com a polícia ucraniana

Tudo “confirmado” Hoje, a estrada que conecta Kharkiv com Kozacha Lopan está repleta de buracos provocados pelos obuses e pelos foguetes

Uma procuradora ucraniana está a investigar o que aconteceu. A cidade foi libertada mas, ao longe, ainda se ouvem os disparos de artilharia

“Aqueles que trabalharam como, digamos, ‘polícias’ na, digamos, ‘polícia popular’ (pró-Rússia) são pessoas bem conhecidas”, disse à AFP a promotora local para crimes de guerra Kateryna Shevtsova no prédio da administração local

“Providências serão tomadas para levá-los à justiça nos próximos dias. A maioria deles era daqui”, disse Shetsova, cercada por polícias armados. Ela quer agir rápido, convencida de ter todas as provas que incriminam aqueles que colaboraram com os invasores

Hoje fizemos uma inspeção nos porões onde, como apurámos pelas provas, pessoas foram torturadas”, explica. “Tudo foi confirmado”

Depois de as forças russas se retirarem da região de Kharkiv, um ucraniano foi à polícia para explicar o inferno que viveu durante a ocupação, entre pontapés e choques elétricos nos seus órgãos genitais.

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Oleksander” – um homem de 40 anos cuja identidade a AFP aceitou manter em segredo, pois tem família na península da Crimeia, na Ucrânia anexada pela Rússia – diz que, a 22 de março, um grupo de homens armados chegou em duas carrinhas e prenderam-no.

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Os seus captores, diz ele, eram membros da milícia da República Popular de Luhansk, autoproclamada em 2014 com o apoio de Moscovo, no leste da Ucrânia

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Subscrever Veterano da operação militar de Kiev contra os separatistas pró-Rússia no leste, Oleksander insiste que foi um dos alvos prioritários dos rebeldes. As suas memórias são tão traumáticas quanto dolorosamente confusas

De volta ao lugar onde viveu o seu tormento, num desolado prédio ferroviário, a 3 quilómetros da fronteira russa, ele conduz os jornalistas a um porão húmido. Olhando ao redor, percebe que o lugar não é o certo, então leva os repórteres da AFP para o escritório da alfândega no primeiro andar da estação Kozacha Lopan

Com um pedaço de pano, varre os restos de vidro do chão e deita-se, para mostrar como ficou agitado durante os interrogatórios dos seus captores, que ligaram um cabo elétrico ao seu pénis

‘Terapia de eletrochoque’ E ainda assim, tem dúvidas. Este também não é o lugar que procura. Revista os armários, destruídos, entre cartazes ucranianos com o símbolo “Z” das tropas russas estampado, e então finalmente tem a certeza: tudo aconteceu no escritório ao lado. Foi lá que foi espancado, pontapeado e submetido a choques elétricos

Foi pontapeado na virilha com tanta força que os seus captores tiveram que proteger a sua cabeça de bater no chão para mantê-lo consciente durante o interrogatório, lembra Oleksander

“Eu estava aqui, assim, e eles começaram a pontapear-me em todos os lugares”, explica ele, com as mãos atrás da cabeça, agachado e contorcendo-se

“Eu disse-lhes para não me baterem porque eu tenho uma hérnia, mas eles baixaram as minhas calças”, recorda. “Eles chamaram de ‘terapia de eletrochoque’ quando fui eletrocutado”

“Isso deu-me a impressão de que eles estavam a atirar metal derretido sobre o meu corpo”, afirmou

Oleksander foi detido durante cinco dias na delegacia da pequena cidade de Kozacha Lopan, onde viveu toda a sua vida, e depois transferido para uma prisão em Goptivka

A 17 de abril soltaram-no, provavelmente, pensa ele, porque precisavam de espaço para manter mais prisioneiros de guerra ucranianos

Kozacha Lopan foi uma das primeiras cidades a cair nas mãos das forças russas após o início da invasão em fevereiro. Assim que o exército ucraniano a libertou em setembro como parte de uma contraofensiva, Oleksander entrou em contacto com a polícia ucraniana

Tudo “confirmado” Hoje, a estrada que conecta Kharkiv com Kozacha Lopan está repleta de buracos provocados pelos obuses e pelos foguetes

Uma procuradora ucraniana está a investigar o que aconteceu. A cidade foi libertada mas, ao longe, ainda se ouvem os disparos de artilharia

“Aqueles que trabalharam como, digamos, ‘polícias’ na, digamos, ‘polícia popular’ (pró-Rússia) são pessoas bem conhecidas”, disse à AFP a promotora local para crimes de guerra Kateryna Shevtsova no prédio da administração local

“Providências serão tomadas para levá-los à justiça nos próximos dias. A maioria deles era daqui”, disse Shetsova, cercada por polícias armados. Ela quer agir rápido, convencida de ter todas as provas que incriminam aqueles que colaboraram com os invasores

Hoje fizemos uma inspeção nos porões onde, como apurámos pelas provas, pessoas foram torturadas”, explica. “Tudo foi confirmado”