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Onda de calor na América do Sul pode elevar temperaturas a quase 50 graus

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Onda de calor na América do Sul pode elevar temperaturas a quase 50 graus

Enquanto isso, as autoridades argentinas já alertavam desde a semana passada para a possibilidade de uma crise de abastecimento de luz com cortes de energia em Buenos Aires e outras cidades do país. Só nesta terça-feira, 11 bairros e 700 mil usuários ficaram sem luz na capital

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Onda de calor na América do Sul pode elevar temperaturas a quase 50 graus Uma onda de calor intensa atinge a região central da América do Sul nesta semana e pode fazer com que cidades na Argentina, Uruguai e Paraguai registrem temperaturas recordes, próximas dos 50ºC. Por Julia Braun, BBC — Da BBC News Brasil em São Paulo

12/01/2022 07h40 Atualizado 12/01/2022

1 de 4 Pessoas vão à praia em Mar del Plata, na costa da Argentina, no dia 11 de janeiro. — Foto: Mara Sosti / AFP Pessoas vão à praia em Mar del Plata, na costa da Argentina, no dia 11 de janeiro. — Foto: Mara Sosti / AFP

Uma onda de calor intensa atinge a região central da América do Sul nesta semana e pode fazer com que cidades na Argentina , Uruguai e Paraguai registrem temperaturas recordes, próximas dos 50ºC . Causado por uma massa de ar quente e seca, o fenômeno repercute também no sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul , onde os termômetros podem chegar a 40ºC.

Os primeiros sinais do aquecimento já são sentidos desde segunda-feira (10), quando a cidade de San Antonio Oeste, na Patagônia argentina, registrou 42,8ºC, e a província de Mendoza foi colocada sob alerta vermelho.

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Nesta terça-feira (11/1), a previsão de máxima de 37ºC para Buenos Aires foi superada e os termômetros marcavam 40ºC por volta das 16h do horário local – a maior temperatura desde 1995.

Segundo o Serviço Meteorológico Nacional (SMN), a capital argentina enfrenta seu quarto dia mais quente em 115 anos, ou desde que os registros passaram a ser arquivados em 1906.

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A expectativa é que o calor só cresça nos próximos dias. Os locais mais quentes da Argentina devem registrar entre 45ºC e 47ºC, de acordo com previsões feitas pela MetSul, empresa de meteorologia gaúcha. Os termômetros uruguaios devem ficar entre 41ºC e 43ºC.

Já no Brasil, as temperaturas mais altas no Rio Grande do Sul devem ser marcadas no oeste do estado , com máximas entre 10ºC e 15ºC acima da média para esta época do ano. O Instituto Nacional de Meteorologia ( Inmet ) emitiu aviso de perigo para 216 municípios do RS em razão da onda de calor .

De acordo com o modelo feito pela MetSul, a área da cidade de Uruguaiana pode ver uma escalada de calor com máximas de 41ºC e 42ºC nos próximos dias. Até regiões mais frias, como a Serra Gaúcha, podem ter marcas extremas no final da semana, com máximas de até 37ºC em Caxias do Sul e ao redor dos 40ºC nos vales de Farroupilha e Bento Gonçalves .

Em Porto Alegre e região, o calor será maior no final da semana e no próximo fim de semana, com marcas ao redor ou acima dos 40ºC e índices de radiação ultravioleta entre 11 e 16. A Defesa Civil do município pede cuidado extremo e recomenda que a população se proteja do sol, mantenha a hidratação constante e evite exercícios entre 10h e 16h.

A maior temperatura já registrada no Rio Grande do Sul , de acordo com os dados oficiais contabilizados desde 1910, foi de 42,6ºC, nos verões de 1917, em Alegrete , e de 1943, em Jaguarão .

Prejuízos no campo e cortes de energia

O impacto das condições climáticas extremas deve ser sentido especialmente pelos agricultores. A região que engloba o sul do Brasil, o Uruguai e a Argentina sofreu perdas significativas no cultivo com uma profunda seca que marcou o ano que passou, e as temperaturas elevadas podem agravar ainda mais a situação.

No Rio Grande do Sul , 159 municípios já estão em situação de emergência devido à estiagem que começou em novembro. Os prejuízos registrados até o momento estão espalhados pela produção de grãos, frutas, hortigranjeiros e leite.

Já no sul da Argentina , onde as chuvas não acumularam nem 200 milímetros em todo o ano de 2021, a seca atinge especialmente o polo portuário de Rosário, onde cerca de 80% das exportações agrícolas do país são carregadas.

Chuvas de verão colocam milhões de brasileiros em risco

2 de 4 Pessoas vão à praia em Mar del Plata, na costa da Argentina, no dia 11 de janeiro. — Foto: Mara Sosti/AFP Pessoas vão à praia em Mar del Plata, na costa da Argentina, no dia 11 de janeiro. — Foto: Mara Sosti/AFP

“O setor agropecuário que já vinha sofrendo com a falta de chuva deve ser ainda mais castigado pelas altas temperaturas. O calor em excesso afeta diretamente o desenvolvimento das plantas e pode queimar as plantações”, diz Olivio Bahia, meteorologista do Inmet .

Há ainda risco de incêndios florestais e quedas de energia . No Uruguai , os primeiros dias de 2022 já foram marcados por imagens assustadoras do fogo no oeste do país. Cerca de 37 mil hectares foram arrasados nas regiões de Paysandú e Río Negro, marcando a maior queimada da história do país.

Enquanto isso, as autoridades argentinas já alertavam desde a semana passada para a possibilidade de uma crise de abastecimento de luz com cortes de energia em Buenos Aires e outras cidades do país. Só nesta terça-feira, 11 bairros e 700 mil usuários ficaram sem luz na capital .

A falta de energia está associada à alta demanda e ao baixo nível dos rios que abastecem as usinas hidrelétricas do país.

O cenário preocupante levou o governo argentino a reunir vários ministérios e organismos para coordenar ações que possam amenizar os riscos provocados pelas altas temperaturas.

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No encontro realizado na segunda-feira, as autoridades discutiram a ampliação da oferta de unidades de terapia intensiva, centros de diálise e neonatologia para acompanhar a população mais vulnerável e buscaram soluções para manter o fornecimento de energia e água.

“Fizemos contato com governadores e prefeitos para unir forças e responder a esta difícil situação excepcional”, disse à imprensa o ministro chefe da Casa Civil, Juan Manzur.

O que está causando o calor extremo?

3 de 4 Pessoas vão à praia em Mar del Plata, na Argentina, no dia 11 de janeiro. — Foto: Mara Sosti/AFP Pessoas vão à praia em Mar del Plata, na Argentina, no dia 11 de janeiro. — Foto: Mara Sosti/AFP

Segundo Éder Maier, especialista em climatologia da América do Sul e membro do Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul ( UFRGS ), a onda de calor atual é consequência da massa de ar quente e seca instalada entre a Argentina e o Brasil. O fenômeno é favorecido pela área de alta pressão atmosférica que está atuando sobre o Rio Grande do Sul , inibindo a formação de nebulosidade e, consequentemente, elevando as temperaturas e reduzindo a umidade do ar.

“A baixa cobertura de nuvens e o tempo seco causam maior eficiência do sistema ambiental em converter a radiação solar em calor”, diz o especialista.

O que se observa atualmente também pode ser classificado como um ” extremo climático composto “. O termo é utilizado pelos meteorologistas para descrever eventos climáticos extremos simultâneos , concorrentes ou coincidentes, que podem levar a impactos ainda maiores para o meio ambiente e a população.

Atualmente na América do Sul, a poderosa onda de calor é acompanhada por um quadro de estiagem forte a severa – enquanto a seca favorece as altas temperaturas, o calor também piora a estiagem.

Segundo o climatologista e professor de ciências atmosféricas da USP , Pedro Leite da Silva Dias, a onda de calor está ainda associada às fortes chuvas registradas na Bahia e em Minas Gerais nas últimas semanas. O bloqueio de alta pressão atmosférica impede que as chuvas se desloquem para o sul, fazendo com que elas fiquem retidas sobre as regiões nordeste e sudeste do Brasil.

4 de 4 Foto mostra inundação na cidade de Juatuba (MG), na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no dia 10 de janeiro, em meio às fortes chuvas que atingem a região. — Foto: Douglas Magno / AFP Foto mostra inundação na cidade de Juatuba (MG), na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no dia 10 de janeiro, em meio às fortes chuvas que atingem a região. — Foto: Douglas Magno / AFP

“Funciona como uma gangorra: enquanto o centro da América Latina experimenta seca e calor, o nordeste e sudeste brasileiros sofrem com a chuva”, diz.

Há ainda uma relação com o fenômeno climático La Niña , que se desenvolve quando ventos que sopram sobre o Pacífico empurram as águas quentes da superfície para o oeste, em direção à Indonésia. Isso causa grandes mudanças climáticas em diferentes partes do mundo, inclusive na América do Sul.

“A atmosfera está toda conectada e um fenômeno anômalo nunca acontece de forma isolada”, explica o climatologista e professor de ciências atmosféricas da USP , Pedro Leite da Silva Dias. “O La Niña contribui não só para potencializar a intensidade da atual onda de calor, como também pode fazer com que ela demore a passar”.

Há registros de eventos extremos associados ao La Niña há pelo menos 2 milhões de anos, mas já se sabe que seus efeitos negativos estão se tornando cada vez mais intensos.

Cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU ( IPCC , na sigla em inglês) atrisbuem essa e outras mudanças do comportamento natural do planeta às mudanças climáticas . O estudo, feito por centenas de cientistas que analisam milhares de evidências coletadas ao redor do planeta, alerta para o aumento de ondas de calor, secas, alagamentos e outros eventos climáticos extremos nos próximos dez anos.

“As temperaturas máximas aumentaram significativamente nos últimos 60 anos e o aquecimento global é, sem dúvidas, um potencial candidato para explicar o aumento da intensidade das ondas de calor”, diz Silva Dias.

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