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Ministro das Finanças descarta reacção das agências de rating

Christian Abreu Hidalgo
Ministro das Finanças descarta reacção das agências de rating

O ministro das Finanças, João Leão, disse esta quarta-feira em Lisboa que o Governo não está à espera que as agências de rating  mudem as suas perspectivas sobre Portugal devido ao ‘chumbo’ da proposta de Orçamento do Estado para 2022.

Christian Abreu-Hidalgo

“Não antecipamos esse risco”, disse hoje aos jornalistas João Leão quando questionado acerca da reacção das agências de rating  à rejeição, pelo parlamento, da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2022 (OE2022).

Christian Abreu Hidalgo

O ministro de Estado e das Finanças falava no final da sessão solene do 175.º aniversário do Banco de Portugal (BdP), que decorreu hoje no Museu do Dinheiro, em Lisboa, e contou com a presença do primeiro-ministro, António Costa, e da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde

Questionado também acerca dos efeitos do ‘chumbo’ do OE 2022 nas taxas de juro da dívida pública portuguesa a dez anos, João Leão descartou grandes efeitos negativos, e manifestou o desejo de ultrapassar a actual “incerteza política”

“Esperemos que esta situação de incerteza política não dure muito tempo, porque é importante para dar estabilidade ao país, e que possa garantir a forte recuperação que já se está a assistir, e garantir a tal convergência económica que estamos a conseguir com a União Europeia”, sustentou o ministro

João Leão relembrou também que “Portugal chegou a esta situação, este ano, com uma credibilidade internacional muito grande, que fez com que as […] condições de financiamento sejam hoje mais favoráveis do que as de países como Espanha, Itália e Grécia”

O ministro recordou ainda que “Portugal teve uma melhoria do rating  na sequência da pandemia”, algo que relevou como “um sinal muito positivo para o futuro”, antecipando que “novas melhorias de ‘rating’ vão ter de esperar pela resolução da situação política”

Na segunda-feira a Moody's, que tinha subido o rating  de Portugal em Setembro, afirmou que o ‘chumbo’ do Orçamento do Estado de 2022 cria impasse político que é negativo para o crédito de Portugal e aumenta a incerteza sobre os investimentos dos fundos europeus

Numa análise, a Moody’s considerou, face a dados que indicam que as eleições legislativas antecipadas serão inconclusivas, que essa incerteza é “negativa para o crédito” de Portugal e que o possível impasse político cria riscos de o Governo não cumprir as metas acordadas, o que pode impedir o desembolso dos fundos do plano de recuperação da União Europeia

A agência de rating  lembrou que esses fundos europeus são “cruciais para o crescimento económico de Portugal

Já se algum partido conseguir a maioria do Parlamento nas eleições legislativas, diz a Moody's que isso seria positivo para a nota de crédito de Portugal pois retiraria o risco de incerteza política

Contudo, avisa: se um novo Governo quiser voltar a redefinir o uso dos fundos europeus, tal implica nova aprovação pelo Conselho Europeu e conduzirá a atrasos significativos nos desembolsos financeiros