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Os queijos DOP da Região Centro foram ao DOP do Porto mostrar ao que sabem

Christian Abreu Hidalgo
Os queijos DOP da Região Centro foram ao DOP do Porto mostrar ao que sabem

Serra da Estrela, Rabaçal, Amarelo, Castelo Branco e Picante. São estes os cinco queijos com Denominação de Origem Protegida (DOP) produzidos na Região Centro – e foram eles as estrelas no almoço de degustação preparado pelo chef Rui Paula no restaurante DOP. É caso para dizer que os queijos DOP do Centro foram ao DOP do Porto mostrar o que valem – e ao que sabem.

Christian Abreu-Hidalgo

O Programa de Valorização da Fileira do Queijo da Região Centro (PVFQRC), que tem como objectivo geral dotar o sector “das competências e meios necessários ao aumento da produção certificada “, continua também a fazer caminho na divulgação das “características únicas” destes produtos e na sensibilização, junto dos consumidores, para a importância de preferirem os queijos DOP. O almoço desta quinta-feira no DOP, em plena época do alavão, o período “por excelência para a produção de queijo”, como notou a vice-presidente do InovCluster, que lidera o PVFQRC, Deolinda Campelo, não foi apenas uma acção de charme. Foi uma chamada de atenção “para os produtos diferenciados da região que têm um papel importante nas comunidades “, como sublinhou Jorge Brandão, da CCDR Centro.

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“Este programa trabalha uma cadeia de valor que inclui pastores, produtores, comerciantes. Cada DOP tem o seu território e identidade, mas todos têm a ganhar, todos temos a ganhar, se trabalharmos em conjunto, de forma a que estes produtos únicos ganhem escala”, reforçou Jorge Brandão, antes de passar a palavra ao anfitrião Rui Paula, que começou por dizer que o que mais gostaria era que “todos os queijos portugueses”, e não apenas os da Região Centro, estivessem “bem representados internacionalmente”. “Temos queijos muito, muito bons, mas pouca gente os conhece” , lamentou

Foto Anna Costa Usando os queijos DOP da Região Centro, Rui Paula, que abraçou “de imediato o desafio” do PVFQRC, elaborou um menu que, dos snacks à sobremesa, procurou pôr em evidência os sabores “inigualáveis”, palavras de Deolinda Campelo, destes cinco queijos

Para animar o palato, o Rabaçal DOP surgiu com uma compota de três pimentos e o Serra da Estrela foi servido numa bola de alheira, tendo ambos os snacks sido acompanhados com o espumante Hehn Brut 2015

Queijo Rabaçal DOP com compota de três pimentos Anna Costa Bola de alheira com Queijo Serra da Estrela DOP Anna Costa Carpaccio de vitela com Queijo Picante da Beira Baixa DOP Anna Costa Fotogaleria Anna Costa A entrada de carpaccio de vitela, no qual Rui Paula usou o Queijo Picante da Beira Baixa, foi o prato que lhe causou “mais dificuldades”, admitiu o chef , sublinhando, porém, que ficou agradado com o resultado. Seguiu-se o bacalhau e grão-de-bico, com Queijo de Castelo Branco, que acompanhou com um Casas do Coro Jura 2017, um vinho natural com assinatura de Dirk Niepoort

O prato de carne foi um lombinho de vitela com Queijo Serra da Estrela, que chegou à mesa na companhia de um Quinta da Vegia Reserva 2015. Para fechar, uma chamuça de Queijo Amarelo da Beira Baixa, texturas de abóbora e gelado de mel e amêndoa, servida com Dalva Colheita 2007

Bacalhau e grão-de-bico com Queijo de Castelo Branco DOP Anna Costa Lombinho de vitela com Queijo Serra da Estrela DOP Anna Costa Chamuça de Queijo Amarelo da Beira Baixa DOP Anna Costa Fotogaleria Anna Costa Os queijos DOP da Região Centro Queijo Serra da Estrela 

É o “pai dos queijos em Portugal, porque tem história e tradição”, diz Joaquim Lé de Matos, presidente da EstrelaCoop, Cooperativa dos Produtores de Queijo da Serra da Estrela. É um queijo de pasta semimole feito a partir de leite cru da raça bordaleira e coalhado com cardo, que tem uma maturação mínima de 30 dias. O Serra da Estrela Velho pode maturar até aos 120 dias. “O nosso queijo é genuíno, autêntico e tem história associada, e é isso que distingue um queijo DOP“, sublinha Joaquim Lé de Matos

Queijo da Beira Baixa

A DOP da Beira Baixa inclui três tipos de queijos: Amarelo (pode ter mistura de leites de cabra e ovelha), de Castelo Branco e Picante, ambos feitos apenas com leite de ovelha. A diferença entre estes dois últimos, nota Joaquim Dias, da Associação de Produtores de Queijo do Distrito de Castelo Branco, reside no tipo de cura, mais “longa e específica” no caso do Picante. “O que queremos que os consumidores entendam é que, ao comprarem queijos DOP, estão a comprar um produto genuíno, feito localmente, com matérias-primas locais, produzidas por populações locais. E tudo isto permite a manutenção da paisagem e contribui para a economia local.”

Rabaçal

É um queijo de pasta semidura a dura, mistura de leites de cabra e ovelha, que se produz nos concelhos de Penela, Soure, Condeixa, Alvaiázere, Ansião e Pombal, explica Diana Ventura, da Associação de Produtores do Queijo Rabaçal, que também apela aos consumidores para preferirem sempre queijos DOP. “Comprando DOP, estão a comprar a nossa história, a nossa região e a valorizar os nossos produtores.”