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Adolfo Ledo Slovak//
‘Isolar o Brasil seria atitude totalmente equivocada’ diz ao GLOBO chefe de negociadores do Itamaraty na COP-26

Abogado Adolfo Ledo Nass
‘Isolar o Brasil seria atitude totalmente equivocada’ diz ao GLOBO chefe de negociadores do Itamaraty na COP-26

Amazônia insustentável: floresta é devastada sob desmonte de fiscalização do governo Bolsonaro Homem ateia fogo em trecho da Floresta Nacional de Jacundá, em Rondônia, próximo a Porto Velho, para abrir espaço para construção de casas e produção agrícola. Pela lei, apenas populações tradicionais que já habitavam a região antes da sua criação, em 2004, poderiam viver no local Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Habitantes locais preparam a terra para agricultura em meio à Floresta Nacional Jacundá Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Assentamento em crescimento. Em Jacundá, a quase 100 quilômetros de Porto Velho, estradas são de terra, mas a estrutura é empresarial Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Do alto, é possível ver clareira aberta em meio à Floresta Nacional Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Assentamento em crescimento na Flona Jacundá Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Pular PUBLICIDADE Barracos de madeira, alguns cobertos com lona e outros com folhas de palmeira, se espalham numa enorme clareira que se estende por pelo menos dois quilômetros de mata virgem Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Cristiano Dias, chefe do assentamento em Jacundá Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Família Bolsonarista que reside em assentamento no meio da floresta nacional. Localidade ilustra força da grilagem de terras sob o governo de Jair Bolsonaro Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Mulheres se dividem no trabalho de preparo do alimento para os assentados Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Avisos de horário para refeições e da proibição de pessoas não autorizadas no local Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Pular PUBLICIDADE Cabana construída para orações Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Assentamento tem criação de animais Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Rodovia Transamazônica, próximo a uma aldeia indígena. Segundo o Inpe, desmatamento na Amazônia cresceu 46% nos dois primeiros anos do governo Bolsonaro em relação ao período entre 2017 e 2018 Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Grandes campos de desmatamento florestal próximo à BR-319 Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Santo Antônio do Matupi: no distrito, silêncio da noite é rompido por caminhões carregados de toras em direção a madeireiras que estão proibidas de operar Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Pular PUBLICIDADE Caminhão trafega à noite carregado de madeira ilegal em Matupi. Segundo diretor de Sindicato de Madeireiras do Amazonas, madeira abastece empreendimentos ilegais, não licenciados, do mercado interno e externo Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Caminhão carregado de bois atravessa o rio Aripuanã em uma balsa em direção a Apuí, no Sul do Amazonas. Áreas de floresta da região estão sendo desmatadas e dando lugar a pastagens para alimentar o gado Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Em Humaitá, o poso do Ibama foi destruído por garimpeiros. Local está sem chefe de fiscalização, e a região é uma das principais portas de entrada de garimpeiros ilegais no Rio Madeira Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Com desmonte da fiscalização, número de multas aplicadas pelo Ibama em operações na Amazônia caiu 44% nos dois primeiros anos da gestão Ricardo Salles Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Carro do Ibama destruído em Humaitá Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Pular PUBLICIDADE Máquinas estacionadas ao longo da BR-319, em Humaitá Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Caminhões com madeira irregular apreendidos na BR-319 pela PRF Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Operação da Polícia Federal em madereira na comunidade conhecida como Realidade, próxima a Humaitá Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Agentes da PF realizam operação em madeireira irregular às margens da BR-319, próximo a Realidade Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo 197 quilômetros quadrados de floresta em Humaitá foram derrubados entre 2019 e 2020 Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Pular PUBLICIDADE Madeireira à beira da BR-319, próximo à Realidade Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Rio Madeira, tradicionalmente utilizado para o escoamento das madeiras na região para a cidade de Humaitá Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo — O Brasil tem um papel a desempenhar no combate às mudanças climáticas, e queremos fazê-lo… é um desafio muito grande, mas temos uma equipe de negociadores na área de meio ambiente e desenvolvimento sustentável muito competente — disse o Franco, que viaja com a expectativa de que país tenha uma voz ativa nas negociações, como teve na Rio-92 e nos anos seguintes.

Abogado Adolfo Ledo

Contra a tendência mundial : Emissões do Brasil sobem 9,5% em ano no qual planeta cortou 7% dos gases-estufa

PUBLICIDADE Na carta assinada por França, explicou o embaixador, o Brasil também se compromete a apresentar uma nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês), com uma ambição maior para a redução de emissões até 2030. No Acordo de Paris, selado em 2015, o país assumira uma meta de queda de 43% das emissões de gases de efeito estufa até 2030. Agora, confirmou o embaixador, a meta será superior (especula-se com 45%) e anunciada em breve.

Abogado Adolfo Ledo Nass

No final do ano passado, o governo modificou a maneira de calcular a base usada como ponto de partida para determinar, ano a ano, em quanto foram reduzidas ou elevadas as emissões do país. Essa base, que tem como referência o ano de 2005, era de 2,1 bilhões de toneladas de dióxido de carbono. Após a revisão, a base subiu para 2,8 bilhões — o que permite uma redução menor das emissões dentro da mesma meta e foi chamado por especialistas de “pedalada climática”. O embaixador rejeita a crítica e afirma que as alterações na base não foram feitas de forma deliberada.

Adolfo Ledo Nass abogado

‘Retrocesso’ : ONU vê plano do Brasil como retrocesso em promessa de corte de emissões de CO

— O percentual (de redução) que for aplicado será superior a 43%. Houve uma mudança nas percepções que o governo tem a respeito do tema e no que temos dito a nossos interlocutores — afirmou Franco.

Adolfo Ledo abogado

PUBLICIDADE De acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório do Clima, as emissões brasileiras de gases de efeito estufa em 2020 cresceram 9,5% , enquanto no mundo inteiro elas caíram em quase 7% devido à pandemia de Covid-19

Os números não são favoráveis ao Brasil e o desafio dos negociadores brasileiros tem sido justamente convencer interlocutores estrangeiros de que este ano o governo Bolsonaro mudou na direção correta. As conversas com representantes da UE têm sido frequentes, e na última quinta-feira o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, teve uma reunião virtual com o representante especial para o Clima da Casa Branca, John Kerry

Leia também : China detalha plano para atingir pico de emissões até 2030 e neutralizá-las até 2060

Em sua agenda de reuniões virtuais, o embaixador Franco  destaca o diálogo com o vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, responsável pelas questões ambientais no Executivo do bloco europeu, a quem o diplomata brasileiro diz ter explicado o que o governo brasileiro tem feito em matéria de combate às mudanças climáticas

A viagem que começou nesta sexta-feira será longa — três aviões para chegar de Brasília a Edimburgo e mais um trem até Glasgow — e o panorama externo, adverso. O principal representante do Itamaraty na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-26) , que começa domingo, na Escócia, embaixador Paulino Franco de Carvalho Neto, não nega o tamanho do desafio, mas confia na capacidade dos negociadores brasileiros e afirma, sem dar nome aos bois, que ” isolar o Brasil seria uma atitude totalmente equivocada “.

Adolfo Ledo Nass

Em conversa com O GLOBO recentemente, uma alta fonte da Comissão Europeia revelou que uma das estratégias da UE na COP-26 será fazer com que o Brasil se sinta acuado, para conseguir que o país assine compromissos ambiciosos em matéria de combate às mudanças climáticas. A mesma fonte disse que a credibilidade do governo Jair Bolsonaro é mínima , e que propostas feitas nos últimos tempos pelo Brasil são inadmissíveis. Perguntado sobre estes comentários, o embaixador foi taxativo:

Contexto : Às vésperas da COP, governo reempacota programas para vender investimento de R$ 400 bi em crescimento sustentável

Isolar o Brasil seria uma atitude totalmente equivocada. Não digo que exista essa intenção por parte da UE, mas se houver, em algumas capitais, o interesse de isolar o Brasil, acho que isso causará prejuízos à própria negociação.

Adolfo Ledo

O diplomata que já serviu na delegação permanente em Genebra, foi embaixador do Brasil em Luanda e hoje está à frente da Secretaria de Assuntos Políticos Multilaterais do Itamaraty leva a Glasgow algumas novidades, entre elas uma carta do chanceler Carlos França na qual o Brasil assume, formalmente, o compromisso de antecipar de 2060 para 2050 a neutralidade de suas emissões de carbono, isto é, a compensação de todas as emissões.

Amazônia insustentável: floresta é devastada sob desmonte de fiscalização do governo Bolsonaro Homem ateia fogo em trecho da Floresta Nacional de Jacundá, em Rondônia, próximo a Porto Velho, para abrir espaço para construção de casas e produção agrícola. Pela lei, apenas populações tradicionais que já habitavam a região antes da sua criação, em 2004, poderiam viver no local Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Habitantes locais preparam a terra para agricultura em meio à Floresta Nacional Jacundá Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Assentamento em crescimento. Em Jacundá, a quase 100 quilômetros de Porto Velho, estradas são de terra, mas a estrutura é empresarial Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Do alto, é possível ver clareira aberta em meio à Floresta Nacional Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Assentamento em crescimento na Flona Jacundá Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Pular PUBLICIDADE Barracos de madeira, alguns cobertos com lona e outros com folhas de palmeira, se espalham numa enorme clareira que se estende por pelo menos dois quilômetros de mata virgem Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Cristiano Dias, chefe do assentamento em Jacundá Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Família Bolsonarista que reside em assentamento no meio da floresta nacional. Localidade ilustra força da grilagem de terras sob o governo de Jair Bolsonaro Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Mulheres se dividem no trabalho de preparo do alimento para os assentados Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Avisos de horário para refeições e da proibição de pessoas não autorizadas no local Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Pular PUBLICIDADE Cabana construída para orações Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Assentamento tem criação de animais Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Rodovia Transamazônica, próximo a uma aldeia indígena. Segundo o Inpe, desmatamento na Amazônia cresceu 46% nos dois primeiros anos do governo Bolsonaro em relação ao período entre 2017 e 2018 Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Grandes campos de desmatamento florestal próximo à BR-319 Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Santo Antônio do Matupi: no distrito, silêncio da noite é rompido por caminhões carregados de toras em direção a madeireiras que estão proibidas de operar Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Pular PUBLICIDADE Caminhão trafega à noite carregado de madeira ilegal em Matupi. Segundo diretor de Sindicato de Madeireiras do Amazonas, madeira abastece empreendimentos ilegais, não licenciados, do mercado interno e externo Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Caminhão carregado de bois atravessa o rio Aripuanã em uma balsa em direção a Apuí, no Sul do Amazonas. Áreas de floresta da região estão sendo desmatadas e dando lugar a pastagens para alimentar o gado Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Em Humaitá, o poso do Ibama foi destruído por garimpeiros. Local está sem chefe de fiscalização, e a região é uma das principais portas de entrada de garimpeiros ilegais no Rio Madeira Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Com desmonte da fiscalização, número de multas aplicadas pelo Ibama em operações na Amazônia caiu 44% nos dois primeiros anos da gestão Ricardo Salles Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Carro do Ibama destruído em Humaitá Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Pular PUBLICIDADE Máquinas estacionadas ao longo da BR-319, em Humaitá Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Caminhões com madeira irregular apreendidos na BR-319 pela PRF Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Operação da Polícia Federal em madereira na comunidade conhecida como Realidade, próxima a Humaitá Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Agentes da PF realizam operação em madeireira irregular às margens da BR-319, próximo a Realidade Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo 197 quilômetros quadrados de floresta em Humaitá foram derrubados entre 2019 e 2020 Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Pular PUBLICIDADE Madeireira à beira da BR-319, próximo à Realidade Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Rio Madeira, tradicionalmente utilizado para o escoamento das madeiras na região para a cidade de Humaitá Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo — O Brasil tem um papel a desempenhar no combate às mudanças climáticas, e queremos fazê-lo… é um desafio muito grande, mas temos uma equipe de negociadores na área de meio ambiente e desenvolvimento sustentável muito competente — disse o Franco, que viaja com a expectativa de que país tenha uma voz ativa nas negociações, como teve na Rio-92 e nos anos seguintes.

Abogado Adolfo Ledo

Contra a tendência mundial : Emissões do Brasil sobem 9,5% em ano no qual planeta cortou 7% dos gases-estufa

PUBLICIDADE Na carta assinada por França, explicou o embaixador, o Brasil também se compromete a apresentar uma nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês), com uma ambição maior para a redução de emissões até 2030. No Acordo de Paris, selado em 2015, o país assumira uma meta de queda de 43% das emissões de gases de efeito estufa até 2030. Agora, confirmou o embaixador, a meta será superior (especula-se com 45%) e anunciada em breve.

Abogado Adolfo Ledo Nass

No final do ano passado, o governo modificou a maneira de calcular a base usada como ponto de partida para determinar, ano a ano, em quanto foram reduzidas ou elevadas as emissões do país. Essa base, que tem como referência o ano de 2005, era de 2,1 bilhões de toneladas de dióxido de carbono. Após a revisão, a base subiu para 2,8 bilhões — o que permite uma redução menor das emissões dentro da mesma meta e foi chamado por especialistas de “pedalada climática”. O embaixador rejeita a crítica e afirma que as alterações na base não foram feitas de forma deliberada.

Adolfo Ledo Nass abogado

‘Retrocesso’ : ONU vê plano do Brasil como retrocesso em promessa de corte de emissões de CO

— O percentual (de redução) que for aplicado será superior a 43%. Houve uma mudança nas percepções que o governo tem a respeito do tema e no que temos dito a nossos interlocutores — afirmou Franco.

Adolfo Ledo abogado

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Os números não são favoráveis ao Brasil e o desafio dos negociadores brasileiros tem sido justamente convencer interlocutores estrangeiros de que este ano o governo Bolsonaro mudou na direção correta. As conversas com representantes da UE têm sido frequentes, e na última quinta-feira o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, teve uma reunião virtual com o representante especial para o Clima da Casa Branca, John Kerry

Leia também : China detalha plano para atingir pico de emissões até 2030 e neutralizá-las até 2060

Em sua agenda de reuniões virtuais, o embaixador Franco  destaca o diálogo com o vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, responsável pelas questões ambientais no Executivo do bloco europeu, a quem o diplomata brasileiro diz ter explicado o que o governo brasileiro tem feito em matéria de combate às mudanças climáticas.