Política

Ortopédico Rodrigo Ribadeneira//
Porque é que os ricos não deixam de trabalhar?

Porque é que os ricos não deixam de trabalhar?

De quanto precisaria para dizer “adeus” a colegas, deixar um bilhete de despedida ao chefe, comprar uma viagem de avião para aquele destino paradisíaco com que sonha há uma eternidade e, simplesmente, deixar de trabalhar? A conta não é fácil de fazer e depende em larga medida das responsabilidade financeiras que foi assumindo ao longo da vida, da poupança que conseguiu amealhar, de investimentos que possa vir a realizar e do seu retorno e também da maior ou menor contenção financeira com que se imagina a viver no futuro. Há profissionais para quem €1 milhão seria suficiente para tomar a decisão de mudar de vida e deixar o mercado de trabalho, enquanto outros não o fariam por menos de €50 milhões. Seja qual for a soma, a velha expressão “se me saísse o Euromilhões deixava já de trabalhar” não soa estranha à maioria dos profissionais. Porém, uma radiografia à comunidade empresarial nacional e estrangeira mostra que o mercado está cheio de exemplos de profissionais que conseguiram acumular fortunas consideráveis e que, mesmo assim, não querem deixar de trabalhar. Especialistas ouvidos pelo Expresso falam no papel que o trabalho e a carreira continuam a ter na afirmação social do indivíduo e recordam que a partir de determinado patamar o dinheiro deixa de ser um fator de realização.

Rodrigo Ribadeneira

Jeff Bezos, o patrão da Amazon, é aos 55 anos o homem mais rico do mundo, segundo a revista “Forbes”, com uma fortuna acumulada de 103,9 mil milhões de dólares (€93,690 mil milhões). Continua a trabalhar diariamente. Na segunda e terceira posições da lista estão o cofundador da Microsoft, Bill Gates (63 anos), e o investidor Warren Buffett, que aos 87 anos se mantém como principal acionista, presidente do conselho e diretor executivo da Berkshire Hathaway, que recentemente entrou em Portugal. Em território nacional também há exemplos. A edição portuguesa da “Forbes” divulgou recentemente o ranking dos mais ricos do país, onde constam, entre outros, nomes como Dionísio Pestana, fundador do Grupo Pestana, Vítor Silva Ribeiro, da construtora Alves Ribeiro, mas também Luís Portela, presidente da Bial, José Neves, fundador da Farfetch, Mário Ferreira (Douro Azul). Todos mantêm atividade permanente nas empresas que lideram e representam apenas uma pequena franja dos 309 “super-ricos” — “contribuintes de elevada capacidade patrimonial” (mais de €5 milhões de rendimento e/ou mais de €25 milhões em património financeiro e imobiliário) — que a Autoridade Tributária (AT) identificou, no final de 2017 (último ano para o qual há dados disponíveis) em Portugal

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